Patrono dos párocos, dos presidentes de câmaras municipais e dos delegados de polícia
Uma infância simples nos campos de Bérgamo
Angelo Giuseppe Roncalli nasceu em 25 de novembro de 1881, em Sotto il Monte, uma aldeia encravada nas colinas da Lombardia, na Itália. Era o quarto de treze filhos de uma família de camponeses pobres e profundamente católicos. Giovanni e Marianna Roncalli criaram seus filhos com trabalho, fé e alegria — três virtudes que Angelo carregaria consigo pelo resto da vida.
Desde criança, Angelo mostrou inclinação para a vida espiritual. Aos onze anos ingressou no seminário de Bérgamo e, mais tarde, no Pontifício Seminário Romano. Ordenado sacerdote em 10 de agosto de 1904, celebrou sua primeira missa na Basílica de São Pedro, em Roma, junto ao túmulo do apóstolo.
Diplomata a serviço da paz e da Igreja
Por décadas, Dom Angelo Roncalli atuou como diplomata pontifício em regiões difíceis do mundo: Bulgária, Turquia, Grécia e, finalmente, Paris. Nessas missões, aprendeu a ouvir antes de falar, a respeitar antes de julgar e a encontrar o bem mesmo nos adversários. Durante a Segunda Guerra Mundial, utilizou sua posição em Istambul para salvar milhares de judeus, providenciando documentos de trânsito e batismo que os livraram da perseguição nazista — um gesto de humanidade que nunca buscou publicidade.
Em 1953 foi nomeado Patriarca de Veneza e cardeal. Naquela cidade de canais e igrejas barrocas, finalmente pôde exercer o pastoreio direto que tanto amava: visitava hospitais, conhecia os pobres pelo nome, frequentava os bairros humildes. “Sou seu irmão”, dizia ele — e as pessoas acreditavam.
O pontificado que surpreendeu o mundo
Em outubro de 1958, com 76 anos, Angelo Roncalli foi eleito papa e tomou o nome de João XXIII. Muitos esperavam um pontificado de transição — um velho bondoso que manteria as coisas como estavam. O mundo estava muito enganado.
Três meses após sua eleição, em 25 de janeiro de 1959, João XXIII anunciou a convocação do Concílio Ecumênico Vaticano II — o maior evento da Igreja Católica no século XX. Com este gesto, ele convidava a Igreja a um profundo processo de renovação interna, de diálogo com o mundo moderno e de abertura ecumênica. Não era ruptura, mas aprofundamento; não era abandono da Tradição, mas seu florescimento novo.
O Concílio abriu em 11 de outubro de 1962 — data que a Igreja hoje celebra como memória litúrgica do papa —, com um discurso célebre em que João XXIII rejeitou os “profetas do desgraças” e convidou a Igreja a oferecer ao mundo “a medicina da misericórdia antes que a severidade”.
A enciclica Pacem in Terris e o legado da paz
Em abril de 1963, já gravemente enfermo com um câncer no estômago, João XXIII assinou a encíclica Pacem in Terris — Paz na Terra —, dirigida pela primeira vez não apenas aos católicos, mas a todos os homens de boa vontade. O documento abordou os direitos humanos, a justiça social, o desarmamento e a cooperação internacional de forma que surpreendeu políticos e intelectuais de todos os credos.
A revista Time o nomeou “Homem do Ano” em 1963. O líder soviético Nikita Kruschev lhe enviou saudações. Líderes judeus e protestantes falaram dele com admiração. João XXIII soube ser pastor universal sem trair um único artigo da fé.
“Só há uma coisa em que todos os homens podem concordar: o amor.” — São João XXIII, Pacem in Terris
A morte de um santo entre o povo
João XXIII faleceu em 3 de junho de 1963, enquanto milhares de fiéis oravam na Praça de São Pedro. Seu último gesto público foi estender a mão para abençoar a multidão reunida abaixo de sua janela. Os últimos dias foram de sofrimento intenso, mas também de uma paz serena que tocou profundamente todos os que o assistiram. “Estou pronto para partir”, disse ele. E partiu em paz.
Paulo VI, seu sucessor, continuou o Concílio e levou adiante o espírito que João XXIII havia semeado. O mundo inteiro sentiu que havia perdido um pai.
A canonização e o reconhecimento da santidade
João Paulo II o beatificou em 3 de setembro de 2000. Em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco o canonizou juntamente com João Paulo II, numa celebração histórica que reuniu centenas de milhares de peregrinos em Roma. Foi a primeira vez na história que dois papas foram canonizados no mesmo dia.
A canonização reconheceu oficialmente o que o povo já sabia há décadas: que Angelo Giuseppe Roncalli havia vivido heroicamente as virtudes cristãs, que sua bondade não era apenas temperamento, mas graça cultivada, e que seu pontificado curto — apenas cinco anos — havia transformado a Igreja para sempre.
“Vede como é bom e agradável que os irmãos vivam em união.” (Salmo 133,1 — ACF)
Por que São João XXIII é relevante hoje?
Num tempo em que a Igreja enfrenta polarizações internas e desafios externos, São João XXIII oferece um modelo precioso: fidelidade à doutrina sem rigidez, abertura ao diálogo sem relativismo, amor ao mundo sem cumplicidade com o pecado. Ele nos ensina que é possível ser firmemente católico e profundamente humano ao mesmo tempo.
Para o mensagemdehoje.com.br, São João XXIII é sinal de que a santidade não exige perfeição formal, mas coração aberto a Deus e ao próximo. Ele nos convida a sair de nós mesmos, a servir com alegria e a confiar que o Espírito Santo está sempre à frente da Igreja, mesmo quando não enxergamos o caminho.
Reflexão e Oração final
São João XXIII, papa da bondade e da esperança, intercedei por nós neste dia. Ajudai-nos a imitar vossa simplicidade de coração, vosso amor pelos pobres e vosso ardente desejo de paz. Ensinai-nos a abrir as janelas da nossa alma para a luz do Espírito Santo, a ver em cada pessoa um irmão amado por Deus e a servir a Igreja com alegria e fidelidade. Que a vossa oração nos alcance a graça de viver como filhos do Pai, construtores de paz num mundo que tanto precisa de amor. Amém.
Equipe Mensagem de Hoje – Imagem gerada por IA