Nascida em 30 de março de 1904 — Falecida em 13 de outubro de 1955
Infância e a tragédia que mudou tudo
Alexandrina Maria da Costa nasceu em 30 de março de 1904, em Balazar, uma pequena aldeia do município de Póvoa de Varzim, no norte de Portugal. Filha de uma família humilde e trabalhadora, cresceu numa região profundamente católica, onde a fé era herança passada de geração em geração como o pão de cada dia.
Era uma menina alegre, laboriosa e de grande pureza de coração. Mas em 20 de março de 1918, quando tinha apenas 13 anos, um acontecimento dramático mudou o curso de sua vida. Para escapar de três homens que tentavam violentá-la, Alexandrina saltou de uma janela de cerca de quatro metros de altura. A queda causou uma lesão grave na coluna vertebral que a deixou progressivamente paralítica. Aos 19 anos, já não conseguia mais mover-se e passou o restante de sua vida — mais de trinta anos — deitada numa cama, sem jamais voltar a andar.
Da dor à oferta: a transformação espiritual
Nos primeiros anos após o acidente, Alexandrina enfrentou sua condição com amargura e angústia compreensíveis. Mas aos poucos, através da oração, da direção espiritual e de graças místicas extraordinárias, sua perspectiva foi se transformando radicalmente. Ela começou a compreender o sofrimento não como punição ou azar, mas como vocação — chamado a participar da Paixão de Cristo para a salvação das almas.
Seu diretor espiritual, o padre Umberto Pasquale, salesiano, acompanhou-a por muitos anos e foi testemunha fiel das graças extraordinárias que Alexandrina recebeu. Com seu apoio, ela passou a oferecer conscientemente cada dor, cada noite insone, cada humilhação da doença como sacrifício pela conversão dos pecadores e pela reparação ao Sagrado Coração de Jesus.
“Porque os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8,18 — ACF)
Os fenômenos místicos extraordinários
A vida espiritual de Alexandrina foi marcada por fenômenos místicos que foram rigorosamente investigados pela Igreja e pela ciência. Toda sexta-feira, ela reviveu as agonias da Paixão de Cristo — o que os teólogos chamam de “êxtases da Paixão”. Esses estados, que duravam horas, eram observados por médicos, sacerdotes e fiéis e documentados com cuidado. Alexandrina permanecia inconsciente para o mundo exterior, mas visivelmente experimentando sofrimentos físicos e espirituais intensos.
Mais impressionante ainda foi o fenômeno da ingestão alimentar: a partir de março de 1942, Alexandrina não mais consumiu nenhum alimento ou bebida — exceto a Sagrada Eucaristia. Por 13 anos e 7 meses, ela viveu somente da Comunhão. Este fenômeno foi investigado em ambiente hospitalar controlado durante quarenta dias consecutivos, em 1943, pelo médico Azevedo e Costa e sua equipe. Os resultados foram categóricos: Alexandrina não consumia nada e ainda assim mantinha sinais vitais estáveis. A ciência médica não encontrou explicação natural.
A Eucaristia como único alimento
Para Alexandrina, a privação de alimento físico era inseparável de seu amor à Eucaristia. “Jesus na Eucaristia é tudo para mim — meu alimento, minha força, minha vida”, escreveu ela. Havia dias em que a paralisia a impedia de receber a Comunhão pessoalmente, e nesses momentos ela sofria de forma indescritível — não pela fome física, mas pela fome de Jesus.
Esse aspecto de sua espiritualidade ressoa profundamente com o que São Carlo Acutis, celebrado ontem, também viveu: o amor à Eucaristia como centro de toda existência cristã. A Igreja nos oferece, nestas semanas de outubro, dois testemunhos poderosos de que a Eucaristia não é ritual vazio, mas presença real de Cristo que transforma, sustenta e diviniza quem se aproxima com fé.
Morte, beatificação e herança espiritual
Alexandrina de Balazar faleceu em 13 de outubro de 1955 — data que a Igreja escolheu para sua memória litúrgica —, após anos de sofrimento sereno e fecundo. Suas últimas palavras foram de amor e entrega. Seu corpo foi sepultado em Balazar, e seu túmulo tornou-se imediatamente lugar de peregrinação.
João Paulo II a beatificou em 25 de abril de 2004, em Roma. Alexandrina era profundamente devota de Nossa Senhora de Fátima. O Papa a apresentou ao mundo como modelo de “amor à Eucaristia e ao sofrimento redentor”.
“Glorio-me nas tribulações; porque a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança.” (Romanos 5,3-4 — ACF)
O que Alexandrina nos diz hoje
Num tempo em que a cultura dominante foge de qualquer dor e promete a felicidade sem cruz, Alexandrina de Balazar é um sinal provocador e libertador. Ela não glorifica o sofrimento por ele mesmo — ela glorifica o amor que transforma o sofrimento em oferenda, a dor em graça, a limitação em missão. Para ela, a cama de paralítica foi o altar de onde se ofereceu ao Pai.
Para cada pessoa que hoje carrega uma doença crónica, uma limitação que não escolheu, uma vida que não saiu como planejada — Alexandrina sussurra: “Não estás sozinho. Cristo já passou por aqui antes de ti. Oferece, ama, repara. Isso também é missão.”
Reflexão e Oração final
Beata Alexandrina de Balazar, virgem de Balazar, rogai por nós que muitas vezes fugimos da Cruz que nos é dada. Ensinai-nos a unir nossas pequenas dores diárias ao sofrimento redentor de Cristo, a encontrar na Eucaristia a força que nos sustenta e a confiar que Deus transforma toda limitação em caminho de santidade. Que vossa intercessão nos alcance a graça de aceitar nossa vida como ela é e de oferecê-la a Deus com amor. Amém.
Equipe Mensagem de Hoje – Imagem gerada por IA